quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Inadequado


Engraçado... Como nos iludimos com vães promessas de amor, como colocamos expectativas em pessoas inadequadas. E o dia dia vai desmoronando aquela admiração cega!
E quando você ver, você ama demais, se dá demais e se decepciona demais.
Porque as pessoas não falam: eu sou assim, venha se quiser!
Há sinceridade obscura...
E o que se faz com os seus sonhos? Quando você se sente só a dois? Pra onde correr? Odeio relações onde tudo o outro aceita ou se desculpa por tudo, até mesmo por existir.

Quel Martins

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Intervalo...


O amor é tão aleatório quanto a quantidade de partículas que uma gota de orvalho desprende ao se chocar com o solo ainda úmido de uma manhã fria de inverno. É tão aleatório quanto a quantidade de piscadas de um olhar apaixonado. Não é difícil viver o amor, difícil é esquecê-lo. Admito que vivi momentos tão fantásticos, avassaladores e absolutos, que até hoje ando em busca de algo semelhante, em vão. Já chorei por amor, já me deprimi, já me entreguei verdadeiramente a poesia de uma promessa. Já me iludi, já fui enganado, traído, maltratado, mas, sempre fui fiel as minhas expectativas. Às vezes, nos parece tão perfeito, tão único, que nunca paramos para imaginar que um dia pode chegar ao fim. A vida nos prega metáforas redundantes, dotadas do poder de nos tornar novas pessoas. Eu optei por me transformar... paguei o preço justo. Mas, sobretudo, acredito no mistério do aleatório, que sacrifica a beleza do orvalho para nos mostrar que não existe verdadeira mudança sem se viver o breve intervalo que separa a folha, do solo ainda úmido de uma manhã fria de inverno. Não há cura para o nascer e o morrer, a não ser saborear o intervalo...

Robson souza

Resistir ou se entregar...




Sempre existe a opção entre resistir e se entregar. Não sei quando, mas você deve ter tido esse momento.

Quel Martins

Unilateral


Comprovei que tudo que já foi escrito sobre o amor é verdade.
Shakespeare disse: "As buscas terminam com o encontro dos apaixonados." Que idéia maravilhosa! Pessoalmente, tive o meu encontro, ou melhor, "reencontro."
Suponho que penso no amor mais do que deveria; me admira o grande poder do amor em alterar e definir nossas vidas.
Shakespeare também disse que o amor é cego. Isso sei que é verdade. Para alguns têm explicação. O amor se apaga, para outros o amor se vai, ou brota quando menos se espera, mesmo que seja só por uma noite.
No entanto, existe outro tipo de amor. O mais cruel... Aquele que quase mata suas vítimas. Chama-se "Amor não correspondido" E nesse tipo, me falta experiência. (Sorte talvez...)
A maioria das histórias de amor falam das pessoas que se amam mutuamente. Mas, o que acontece com as demais? E as outras histórias? E aqueles que se apaixonam sozinhos? Seriam vítimas de uma relação unilateral? Seriam apenas amaldiçoados pelos amantes? Os não amados. Os mortos vivos, os deficientes sem estacionamento reservado...

Sou assim...


Sou assim Duas de mim. Às vezes três Quatro... cinco... seis. Sou uma por mês. Me diversifico, têm horas que eu grito. Vivo num conflito. Mostro ao mundo minha dor. Outras horas, só sei falar de amor. A mais romântica, melodramática, estática, chorosa e nervosa, carente e decadente, vingativa e inconsequente. Aí quando menos percebo, me transformo em mulher cheia de medo. Cheia de reservas, coberta de sutilezas, séria e sem defesa. No minuto seguinte, no papel de mulher fatal vivo logo a tal. Aí sou a dona do mundo, segura e destemida, ativa e atrevida. Rasgo meus segredos ao meio e exponho num roteiro de poesia ou texto. Agrido, inflamo. Conto o que ninguém tem coragem de contar. Explico detalhes que é bom nem lembrar. Sou assim, várias de mim. Sorriso por fora, angústia toda hora. Por dentro um tormento, no rosto nenhum sofrimento. No corpo uma explosão de prazer, nos olhos, meu desejo deixo perceber. Melhor nem me conhecer. Fique com minhas letras, com as minhas palavras. Na vida real sou bem mais complicada. Sou mil. E quem tentou, descobriu. Que viver ao meu lado é viver dentro de um campo minado, prestes a explodir. Mas, quem esteve nele, nunca quis fugir.

Os cheiros


Existem cheiros inesquecíveis. Cada pessoa tem seus prediletos. E basta uma mínima lembrança para que tudo volte: a temperatura do momento, a felicidade ou a tristeza que se sentia, as imagens de quem estava perto, tudo. Cheiros podem ser alegres ou tristes. Era muito bom quando se entrava em casa depois do colégio, logo antes do almoço, e se sentia o cheiro do refogado – alho, cebola e tomate – para fazer o picadinho ou o bife de panela enrolado no bacon e preso por um palitinho. Quantos segundos você leva para atravessar o tempo e voltar aos seus 11 anos?


Quel Martins